Saiba tudo sobre a Síndrome dos Ovários Policísticos em adolescentes

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A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal muito comum que pode causar problemas simples, como irregularidade menstrual e acne, até outros mais graves como obesidade e infertilidade. Conheça um pouco mais a respeito desta síndrome, suas manifestações clínicas, seu diagnóstico e tratamento.

 

ENTENDA A SOP

 

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a uma das condições clínicas mais comuns entre as disfunções endócrino-metabólicas que afetam mulheres em idade reprodutiva, acometendo de 5% a 21% das mulheres, dependendo da população estudada (maior entre mulheres inférteis) e do critério diagnóstico empregado. As principais características clínicas dessa síndrome são a presença de hiperandrogenismo (excesso de androgênios)  com diferentes graus de manifestação clínica (aumento de pelos, acne e seborreia), e a anovulação (falta de ovulação) crônica que pode  levar a irregularidade menstrual (ciclos com intervalos mais  longos, geralmente maiores que 40 dias) e  a infertilidade.

Vários fatores têm sido implicados na etiopatogenia (causas) da SOP, havendo componentes genéticos envolvidos, fatores metabólicos, distúrbios endócrinos hereditários, como a resistência à insulina e o diabetes mellitus tipo II (DMII), e fatores ambientais (dieta e atividade física).

Síndrome pode ocorrer em todas as idades durante os anos reprodutivos da mulher, sendo frequente entre adolescentes. 

 

DIAGNÓSTICO

 

Devido à grande importância de um diagnóstico precoce da SOP, torna-se extremamente relevante a avaliação de critérios que possibilitem um correto diagnóstico. 

A SOP pode ser bem mais comum na adolescência do que se imagina. O protocolo atualmente mais utilizado para o diagnóstico da SOP na mulher adulta avalia a presença de ciclos menstruais irregulares, oligomenorreicos (com intervalos acima de 40 dias), de   hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial e da morfologia ultrassonográfica dos ovários que se apresentam com aspecto policístico. São necessários a presença de ao menos dois dos três critérios diagnósticos.

Uma vez que todos os sinais/sintomas que mimetizam a SOP são frequentes na transição da idade pediátrica para a vida adulta (menstruações escassas / anovulação, sinais clínicos de hiperandrogenismo, como acne e hirsutismo moderado, e ainda ovários com aparência policística na ecografia) e que irregularidade menstrual na adolescência é considerada uma alteração fisiológica decorrente da imaturidade do eixo que controla as ovulações (eixo hipotálamo-hipófise-ovariano), o diagnóstico da SOP torna-se muito mais difícil em adolescentes que em adultos. É defendido por vários especialistas na área, que o diagnóstico da SOP na adolescência deverá ser protelado durante os primeiros dois anos após a primeira menstruação. 

 

TRATAMENTO

 

O tratamento se fundamenta em mudança de estilo de vida (perda de peso) e uso de contraceptivos orais combinados associados ou não ao uso de medicamentos (metformina, por exemplo).

Está provado que uma perda de peso na ordem dos 5% a 10% traz não só benefícios em nível endócrino, com a diminuição dos níveis de testosterona, o aumento da concentração de globulina de ligação de hormônios sexuais (SHBG) e a normalização dos períodos menstruais, mas também metabólicos, pela diminuição da resistência periférica à insulina e da dislipidemia, e psicossociais, tendo efeito visível na qualidade de vida. Medidas dietéticas simples, tais como a proibição dos refrigerantes e dos lanchinhos, e plano alimentar que envolva a família, a escola e os amigos podem conduzir de forma bem-sucedida a uma redução de peso em adolescentes obesas ou com excesso de peso.

 A diminuição de peso se relaciona com a melhoria do padrão menstrual.  Um terço das pacientes regularizam os ciclos só em função da perda de peso 

Também é recomendada atividade física intensa tipo aeróbica por três vezes durante a semana durando 60 minutos por dia.

O tratamento da SOP em adolescentes é diretamente relacionado com as suas principais manifestações clínicas: irregularidade menstrual, hirsutismo/acne, obesidade e RI. Várias são as opções terapêuticas para cada um desses itens e um mesmo tratamento pode ser utilizado para mais de um sintoma, e essa escolha deverá ser individualizada para cada adolescente.

Para as adolescentes com SOP, os anticoncepcionais orais combinados continuam a ser a forma mais comum de tratamento, atuando nas manifestações androgênicas e na irregularidade menstrual.

Várias combinações e dosagens estão disponíveis, devendo-se optar por aquelas que ofereçam menores efeitos secundários.

A eficácia do tratamento poderá ser avaliada após três meses do seu início, com avaliação clínica dos sintomas basicamente, no entanto os níveis de androgênios também podem ser utilizados para esse fim.

Podem ser usados fármacos com potencial antiandrogênico, além de medidas cosméticas para a melhora do hirsutismo e da acne.

 

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

 

  • A primeira linha de tratamento é a mudança de estilo de vida e a perda de peso;
  • Controle seu peso, principalmente com dietas de baixo teor de carboidratos. A obesidade agrava os sintomas da síndrome do ovário policístico, além de por si só causar uma série de complicações;
  • Atividade física por pelo menos 30 minutos, cinco dias por semana, é essencial, tanto para manutenção do peso ideal como para prevenir problemas cardiovasculares;
  • Na resposta inadequada, o tratamento medicamentoso está recomendado;
  • Caso desejem, mulheres com ovários policísticos podem realizar procedimentos para remoção de pelos, como eletrólise, laser entre outros;
  • Não se descuide. Mulheres com ovário policístico correm maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares na menopausa.

 

Dra. Marta Finotti – Ginecologista especialista em Reprodução Assistida e Ginecologia Endócrina – CRM GO 3367 – RQE 968

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